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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Sobre corações elasticos

Alguns deles vão te fazer desejar estar morta. Alguns deles vão te tirar do chão. Alguns deles vão te deixar enjoada com flores, buquês, fotos e chocolate. Alguns deles vão te fazer sentir como a mulher mais burra do mundo. Spoiler: você não é. Alguém vai quebrar seu coração. Você vai devolver a ele todos os pedacinhos “como se fosse dele pra fazer o que bem entender”. Você leu isso em algum livro de romance sobre príncipes e princesas. Eles mentem. Esse tipo de coisa nem existe. Mas alguém vai te fazer acreditar que sim. Que você esperou 19 anos por isso. Você esperou. Mas não por isso. Você esperou por mais, acredite. E, sabendo que deu errado, começa a pensar que foi por um bem maior. Não foi. Mas vai surgir alguém. Mais alto, mais inteligente, mais educado, mais conservador, mais respeitador e você vai pensar “é isso”. Não é. Não vai ser. Não vai durar mais do que alguns anos de pura ilusão que vão te fazer sentir como se ele fosse a sua família. Ele vai ser. E você vai se arrepender. Até o dia que alguém aparecer. E não vai te prometer o mundo e não vai te dizer coisas bonitinhas. E você vai achar que ele é sincero. Vocês vão se contar tudo, ele vai saber de cada passo seu. Por um momento, ele vai ser seu melhor amigo. Serão filmes, músicas, estacionamentos e um motel. Você vai ficar com medo de ter feito algo errado. Você não fez, mas cada coisinha vai te atormentar. Você quis ser perfeita pra alguém que não é perfeito. Você não foi. Ninguém é. E alguém vai ter fazer falta. Você não sabe quem. Cada parte do seu corpo vai tremer e você vai suar num frio de 23 graus num quarto de 2 por 2. Você vai dizer que é a última vez e cantar Taylor Swift com todo o fôlego que ainda te resta. Com todo o fôlego que ele não levou. Mas vai perceber que não restou muito de você pra contar história. Eles vão contar sua história.Um vai dizer que não valeu a pena, o outro talvez solte uma risada ou duas. Um deles vai segurar as lágrimas e o seu primeiro amor vai dizer que você foi importante. Você nem se lembra quem ele é. O último vai dizer que gostou de você. E talvez ele queira dizer mais, mas você já o conheceu assim. Covarde, ocasionalmente cruel ao invés de ser honesto. Você nem tentou mudar. Era como encarar um espelho perfeito, limpo e capaz de enxergar através de todos os defeitos. Porque eram seus também. E isso vai te enforcar. Não vai doer, você não vai chorar, não se quebra um coração mais de uma vez. Você não ficou colocando expectativa nesse. Você sabia que não podia. Mas lá no fundo, você esperou. Como quem espera que a protagonista não morra num filme de drama. Você pensou em como seria se o impulso fosse regra ao invés de excessão. Como seria a liberdade de estar amarrada em alguém livre? Você quis tentar. Você quis ligar pra sua avó. Ela saberia o que fazer. Ela não estava lá. Ninguém sabia o que fazer. Um vai dizer que não valeu a pena, o outro talvez solte uma risada ou duas. Um deles vai segurar as lágrimas e o seu primeiro amor vai dizer que você foi importante. Você nem se lembra quem ele é. O último vai dizer que gostou de você. E talvez ele queira dizer mais, mas você já o conheceu assim. Covarde, ocasionalmente cruel ao invés de ser honesto. Você nem tentou mudar. Era como encarar um espelho perfeito, limpo e capaz de enxergar através de todos os defeitos. Porque eram seus também. E isso vai te enforcar. Não vai doer, você não vai chorar, não se quebra um coração mais de uma vez. Você não ficou colocando expectativa nesse. Você sabia que não podia. Mas lá no fundo, você esperou. Como quem espera que a protagonista não morra num filme de drama. Você pensou em como seria se o impulso fosse regra ao invés de excessão. Como seria a liberdade de estar amarrada em alguém livre? Você quis tentar. Você quis ligar pra sua avó. Ela saberia o que fazer. Ela não estava lá. Ninguém sabia o que fazer. Alguém tentou. O mesmo de sempre. Mas não, ele não. A vida sempre riu de vocês dois. Privilegiados com um amor imensurável que não passaria nunca de uma amizade. E vocês nem quiseram que passasse. Você desejou tê-lo ouvido da primeira vez. Ele avisou. Você disse que não, achou que era o amor da sua vida. Quis a imprevisibilidade, quis o coração acelerado, o impulso e a adrenalina de estar magoando alguém sem que a pessoa saiba. Você quis o erro. Você aceitou os termos e condições e você implorou para que fosse a última vez. Ele mentiu, você riu da situação e armou-se com a moral que nem tinha. Ele teve medo. Ou não. Você nunca vai saber. Você nem chorou, nem viu de novo. Você jamais esqueceria e sabia disso. Não há como se esquecer de si mesma. Não há como não amar-se vendo-se em outra pessoa. Ele te disse que não era amor. Já te disseram isso antes. Alguém mentiu pra você. Vários alguens. Nem você escapou dessa lista e não seria a última vez. Você não quer esquecer. Você quer de volta algo que nem embora foi. Você quer que vá. Sem dor e que arranque o band-aid sem pudor. Que deixe marcas para ser relembradas. Que a falta de dor não seja esquecida para que a dor seja valorizada. Que ela não volte. Que ele não vá. Que fique com o caos e as ideias malucas, como a de engatar a primeira marcha num namoro as 23:01 do segundo dia do Natal. Que te enforque na cama e grite na estrada. Que te morda até que fique roxa. Que te odeie por te amar e não saber lidar com isso. Que nunca mude, porque você comprou assim. Mas que seja seu e não se divida em parcelas porque você ama como um todo. Como um tolo. Como jamais amou. Como abraçou e gritou com cada diferença. Como quis que tivessem te amado. Como você nem sabe se amou. Mas terminou sem saber o que seria dali pra frente. Em frente à toda a falta de problemas, você desacreditou no alguém. E acreditou no seu poder de ser alguém. E de não amar ninguém.

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